Luz mágica da tela global
06/06/2009
A mídia e suas variantes são o tema central de três recentes lançamentos da editora gaúcha, Sulina: 'Ecos Urbanos - A Cidade e suas Articulações Midiáticas', com organização dos textos por Angela Prysthon e Paulo Cunha; 'A Tela Global - Mídias Culturais e Cinema na Era Hipermoderna', de Gilles Lipovetsky e Jean Serroy; e 'Cinema Brasileiro Pós-Moderno - O Neorrealismo', assinado por Renato Luiz Pucci Jr., que é docente do Mestrado em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná, em Curitiba.

O fascínio contemporâneo dos cidadãos pela máquina e a tecnologia como característica principal da urbanidade do século XXI, são alguns dos muitos temas desenvolvidos nos artigos do livro 'Ecos Urbanos...'. organizados por dois autores graduados em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco. A obra centraliza a urbanidade atual frente a uma nova economia e também de novas formas de consumo, como o fetiche ou a moda, entre outras.

O cidadão fascina-se pela máquina, fetichizando-a (como com a cidade) e transformando-a em um índice de progresso e imagem máxima do novo. A cidade moderna funciona como o espaço onde atuam as inúmeras paixões metropolitanas, os aparatos tecnológicos e as máquinas, que estabelecem uma espécie de percepção temporal para os sujeitos modernos. A tecnologia diminui distâncias e tempos, faz a diferença mais próxima, define e redefine, para o cidadão novos cenários a cada instante.

'A Tela Global...' reúne dois grandes nomes em suas respectivas potencialidades enfocando um mesmo tema. Gilles Lipovetsky é o desbravador da hipermodernidade e Jean Serroy entende tudo de cinema. Os dois se juntam para olhar filmes e explicar o funcionamento da chamada 'tela global' que é, ao mesmo tempo, o título do livro e um conceito para explicar esta época de tantas telas (a do computador, a da televisão e as dos cinemas), assim como de tantas outras imagens errantes e efêmeras. Escrita a quatro mãos, o livro prima pela clareza, já a partir da premissa dos quatro em transformá-lo numa espécie de guia de interpretação de uma teia social habitada pela maioria e com frequência estranha aos intelectuais, Ninguém escapa ao poder e ao fascínio dessas telas. A tela grande dos cinemas, apesar de toda uma longa série de prognósticos pessimistas, continua a atrair espectadores com sua luminosidade mágica.

Os dois pensadores garantem que a profusão de imagens da atualidade não significa necessariamente um empobrecimento da cultura, nem mesmo a morte da arte ou a destrruição da sensibilidade e da estética. A imagem é a representação de uma nova era, sem drama nem tragédia, aberta a finais felizes ou infelizes, feita de divertimento e de reflexão. Revisitando o século XX e o começo do século XXI, Lipovetsky e Serroy apresentam um desfile de imagens inesquecíveis e uma sessão completa de ideias novas e refrescantes.

Com 'Cinema Brasileiro Pós-Moderno', Pucci Jr. apresenta uma revisão da crítica e da historiografia do cinema brasileiro. Ele examina a chamada 'trilogia paulista da noite', (composta pelos filmes 'Cidade Oculta' (1986), de Francisco Botelho; 'Anjos da Noite' (1987), de Wilson Barros; e 'A Dama do Cine Shangai' (1988), de Guilherme de Almeida Prado), por meio de análises comparativas com filmes de Carlos Manga, Glauber Rocha e Julio Bressane. Renato Luiz Pucci Jr. é autor também de 'O Equilíbrio das Estrelas: Filosofia e Imagens no Cinema de Walter Hugo Khoury' (2001) e do capítulo 'Cinema Pós-Moderno', do livro 'História do Cinema Mundial'. Seu novo trabalho é resultado de uma tese de doutorado defendida na ECA-USP. E-mail renato.pucci@gmail.com.

Link: www.correiodopovo.com.br

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