O Desconstruidor
26/05/2003
42º andar, 180 graus de Baía de Guanabara. Amontoado no auditório, fones de ouvido a postos, o público vivencia uma experiência desconcertante. O filósofo francês Jean Baudrillard desconstrói a realidade e sua sucessora virtual.
A ficção foi mais rápida que o pensamento acadêmico na previsão do futuro digital. De George Orwell a Matrix, agora reloaded, o virtual desbanca o real. Mas Baudrillard corre atrás do tempo perdido e desbanca a realidade virtual. Se nela tudo é possível, se nela tudo é o seu oposto, se não há mais tempo nem distância, então ela não existe.
- A realidade sucumbiu à simulação e ao artifício. O virtual faz uma realidade fantasma - afirma.
O discurso ágil, que engata uma idéia noutra para no fim se autodestruir, confunde os tradutores, que deixam escapar 'incertidões' e 'instantaneismos', mais que perdoados. Mesmo quem entende francês se perde nas conexões em banda larga de Baudrillard.
O filósofo participou da conferência 'A subjetividade na cultura digital - o Eu em rede', promovido pela Universidade Cândido Mendes semana passada. Seu paper não foi divulgado, e o que se encontra dele na web é velho, leia-se de 2000 para trás. Mas quem prefere o estilo ao tempo real não vai se importar com isso. Vale visitar o Reality of Simulation, feito por um fã. Além de artigos, há belas fotos tiradas por Baudrillard. Pura subjetividade. Uma aluna da Universidade do Texas também fez sua homenagem, colecionando textos dele e sobre ele. Já o site da European Graduate School lista sua longa bibliografia.
Baudrillard lançou na Bienal o livro Power Inferno, em que interpreta a guerra 'pós-moderna' do Iraque, onde o enfrentamento foi substituído pela vitória anunciada. Está à venda por R$ 18 no site da Editora Sulina.

(JORNAL DO BRASIL)

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